14:09
A LUTA DE ZUMBI DOS PALMARES E A CONQUISTA DA CIDADANIA
Mestre Paulão Kikongo
20 de Novembro, Ações Afirmativas, Africana, Afro-Brasileira, Brasil, Cidadania, Consciência Negra, Cultura Afro, Diáspora, Discriminação, Discriminação Racial, Diversidade, educação, Etnia, História, Identidade, Igualdade Racial, Inclusão, Inclusão Social, Lei 10.639/2003, Negritude, Negros, Política Pública, Quilombolas, Quilombos, Racismo, Remanescestes, SEPPIR, Zumbi dos Palmares
A LUTA DE ZUMBI DOS PALMARES E A CONQUISTA DA CIDADANIA RACIAL PLENA
Este ano completa - se 313 anos do assassinato de Zumbi dos Palmares pelas tropas portuguesas comandada pelo Bandeirante Domingos Jorge Velho no Quilombo dos Palmares que era localizado na região da Serra da Barriga e que atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas).
Passados mais de três séculos, de acordo com o IPEA (Instituto de Pesquisas Aplicadas) na pesquisa "Demanda e Perfil dos Trabalhadores Formais no Brasil em 2007, os negros recebem em média 53% do salário dos não – negros, a escolaridade do negro é de 5,8 em média e a dos não – negros 7,7%. Negros e negras ocupam 60, 3% dos empregos na agricultura, 57,9% na construção civil, 59,1% dos serviços domésticos, enquanto os não – negros ocupam 56, 5% no comércio e serviços não financeiros, 62, 5% nos serviços financeiros e 57, 2% na administração pública, serviços sociais e utilidade pública.
Ainda de acordo com o IPEA, 55% do trabalho não remunerado no Brasil e 55, 4% sem carteira assinada são representados por negros e negras. Os 120 anos da abolição inacabada, oficialmente conhecida como Lei Áurea, não contribuiu para a superação do racismo, pois ao atender as pressões internas e externas que exigiam mudanças no regime econômico/mercantilista da época e que após um ano já mudara o regime de colônia imperial para república, agravou ainda mais a situação social dos escravos recém libertos que testemunharam a vinda dos europeus com incentivo governamentais, ocupando o mercado de trabalho formal que se formou com o fim do regime escravista.
Na história recente, muitos avanços foram obtidos a partir da realização da Conferência de Durban em 2001. As atuais políticas públicas e ações afirmativas em curso no atual governo começam a resultar em mudanças significativas no percentual de afrodescendentes que conseguem ingressar nas aproximadamente 60 universidades que voluntariamente adotaram a política de Cotas baseada na PL 73/99 que está em vias de ser votada no Congresso. A criação da SEPPIR (Secretaria Especial Pela Promoção da Igualdade Racial), destaca – se como uma das iniciativas mais avançadas no mundo.
A aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, Projeto – Lei apresentado pelo Senador Paulo Paim é mais uma ferramenta que se aprovada pelo Congresso Nacional poderá resultar em medidas positivas na superação do racismo. Para se garantir a efetiva consolidação destas políticas é necessários que estas sejam efetivadas como Políticas de Estado. De acordo com estudos do IPEA serão necessários 32 anos para que as atuais ações afirmativas e políticas públicas do resultem em um patamar de igualdade social entre negros e não negros.
A CUT (Central Única dos Trabalhadores) através da criação da CNCDR (Comissão Nacional Contra a Discriminação Racial) e das comissões estaduais, desde o ano de 1992 desenvolve ações objetivando a igualdade de oportunidades no mundo do trabalho. Na última plenária estatutária, a CUT reconhecendo a necessidade de se potencializar as ações desenvolvidas pelos dirigentes sindicais que organizam – se nas comissões de existentes na estrutura sindical cutista, aprovou consensualmente a criação da Secretaria de Combate ao Racismo no próximo CONCUT (Congresso da CUT).
Mesmo diante de muitas conquistas a batalha de Zumbi dos Palmares ainda não resultou em uma vitória definitiva. Dos 5564 municípios brasileiros apenas 262 comemoram o Dia da Consciência Negra. Nem mesmo o artigo 79 – B da Lei 10.639/03 que obriga o ensino da História e Cultura Afro – Brasileira nas escolas de ensino médio e fundamental e que estabelece no calendário escolar a inclusão do dia 20 de novembro como "Dia Nacional da Consciência Negra" tem a sua efetiva implementação nas escolas.
No ano em que o Movimento Negro Unificado (MNU) principal ícone de luta do movimento negro brasileiro, completa 30 anos, ano do centenário de Cartola, do centenário de Solano Trindade e do centenário da Umbanda no Brasil, os afrodescendentes brasileiros devem se conscientizar que a cidadania plena ainda está muito longe dos ideais sonhados pelo líder e herói Zumbi dos Palmares.
Somente a conscientização de que é necessário continuar lutando é que poderá estabelecer um novo paradigma para a população negra no Brasil, que em 2010 representará mais da metade da população brasileira, de acordo com pesquisas do IPEA.
Fonte: congressonacionaldenegrasenegros@yahoogrupos.com.br em nome de marcosbeneditoafubesp (marcosbenedito@cut.org.br)
17:17
Uneal promove seminário Negritude e Resistência
Mestre Paulão Kikongo
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A Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), por intermédio do Departamento de História do Campus de Arapiraca e do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab), promoverá, entre os dias 11 e 13 deste mês, a terceira edição do seminário “Negritude e Resistência.
O evento marca as comemorações dos 37 anos da Consciência Negra no Brasil e reunirá professores, alunos e representantes de organizações, envolvidos com a valorização do negro na sociedade brasileira.
Este ano, o seminário vai discutir a realidade das comunidades quilombolas em Alagoas, com ênfase à questão agrária, bem como a promoção do debate acerca do processo de formulação de ações afirmativas no âmbito das universidades alagoanas.
A abertura oficial do evento está marcada para a noite de terça-feira (11), a partir das 19 horas, com uma mesa-redonda que contará com as palestras dos professores Moisés de Melo Santana, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE); Clara Suassuna Fernandes (Neab/Ufal) e Jairo José Campos (Uneal).
O grupo debaterá as políticas afirmativas no ensino superior. Além disso, a programação do evento terá a participação de representantes do Instituto de Terras de Alagoas (Iteral); do Núcleo Afro-Quilombola da Secretaria de Estado da Mulher, Cidadania e Direitos Humanos, do Incra/AL, bem como apresentações artísticas de grupos afros.
União - Com o tema “Cultura e gênero: a questão negra em foco”, a direção do campus da Uneal em União dos Palmares promoverá, entre os dias 17 e 21 deste mês, a Semana da Consciência Negra na terra de Zumbi dos Palmares.
A programação tem início marcado para as 19 horas, no pátio da Escola Cenecista Santa Maria Madalena, com performance literária e a participação dos alunos-bolsistas de iniciação científica pela Fapeal e do Núcleo de Pesquisa em Literatura (Nupel), além de estudantes do curso de Letras.
Segundo revela o diretor do campus, professor Jairo José Campos, o evento ainda reserva palestras, exposição fotográfica da comunidade quilombola de Muquém, bem como exibição de filmes e a participação dos alunos do programa Diversidade na Uneal.
Na quinta-feira (20), está programada uma caminhada coletiva dos participantes do evento até a Serra da Barriga.
por Agência Alagoas
16:54
Mestre Ananias e Samba Chula de São Bras - Bahia
Mestre Paulão Kikongo
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17:25
O grande crime da água dos irmãos Rebouças e o capitalismo tardio
Mestre Paulão Kikongo
Africana, Afro-Brasileira, Brasil, cultura, Diversidade, Educadores, Engenharia, Etnia, Identidade, patrimônio, Remanescestes
A André Rebouças 2008, in memoriam:
170 anos de nascimento – Cachoeira-BA – 13 de janeiro de 1838
110 anos de morte - Ilha da Madeira – Portugal – 9 de maio 1898
Por Carlos Nobre*
Depois de participarem da Guerra do Paraguai, de criarem empresas e de terem se tornado referências na engenharia brasileira, os irmãos Rebouças (André e Antonio) foram incumbidos pelo poder público, em 1870, de resolver um grave problema: a persistente falta d’água na corte imperial, que sentia ainda os efeitos da seca de 1869.
Dependendo ainda do antigo chafariz público do Largo da Carioca, a população do Rio de Janeiro sentia os efeitos dramáticos da seca. Isto porque a cidade, embora capital imperial, não investira num sistema moderno de captação de água através de novas metodologias da engenharia civil.
Por esse motivo, a insatisfação popular crescia devido ao fato de as famílias não terem água para atenderem suas necessidades higiênicas, culinárias e sanitárias.
O clamor popular pela presença de água abundante tendia aumentar, cada vez mais, a distância entre o imperador D. Pedro II e os cariocas, pois, o poder público, impotente, não sabia como apresentar uma solução técnica para tão grave problema.
Percebendo o drama social que aumentava a cada dia, os Irmãos Rebouças se sensibilizaram com as queixas do povo. Muitos sabiam que, grupos que conheciam determinadas nascentes, manipulavam a venda de água clandestina à cidade. Isto porque, ao contrário dos demais cariocas, esses grupos –- inclusive negros alforriados – tinham pleno conhecimento topográfico da cidade e de seu entorno, principalmente das áreas rurais, onde podiam captar água clandestinamente.
Os irmãos afrodescendentes discutiram tecnicamente, entre si, sobre o problema da falta de água que atormentava a capital imperial. Perceberam, neste sentido, que tinham soluções técnicas inovadoras para resolver a questão que a “engenharia oficial” não detinha. Em vista disso, foram falar com o imperador, no Paço Municipal.
Em seu diário, que hoje faz parte do acervo do Instituto Geográfico e Histórico Brasileiro, André disse ao monarca que ele e o irmão descobriram como resolver o problema em pouco tempo. O imperador, feliz, argumentou para os irmãos que o estado deveria, então, oferecer água farta e gratuita para toda a população.
Os irmãos Rebouças, no entanto, ficaram contra essa proposta. “Combatemos também a falsa idéia, que tem o imperador, de dar água aos pobres gratuitamente nas fontes e lhe demonstramos que é muito mais liberal e higiênico dar aos pobres água em domicilio por um preço mínimo (1)”, escrevia Rebouças em seu diário.
Uma comissão de engenheiros sob a liderança dos Rebouças foi formada para estudar a viabilidade técnica do projeto. Presidida por Antonio, esta comissão, chegou a conclusões importantes. Em primeiro lugar, Antonio destacou a importância das águas do Jardim Botânico e da Tijuca. Eram mananciais importantes. Mas como torná-los acessíveis à população? Antonio, então, conseguiu encontrar o caminho técnico para trazer estes mananciais para as casas dos cariocas.
Quando as obras iam a pleno vapor, o então Ministro da Agricultura chamou André às pressas para uma reunião na Câmara dos Vereadores. O dirigente público lhe disse que os proprietários de terras achavam “exageradas” as providências feitas pelos Rebouças para dar água à cidade. E mais: lhe comunicou que tinha mandado sustar a abertura dos novos poços que eram fundamentais para analisar a viabilidade técnica da perspectiva tomada pelo engenheiros Rebouças.
Segundo Santos (1985: 160-163), “A comissão tinha a incumbência de aproveitar mananciais, cavar poços e estabelecer adução ao centro da cidade e aos bairros atingidos pela falta d’água. André, em seu diário, registra o sucesso do trabalho da comissão, com a contratação do assentamento das águas do rio Macacos, melhoramento dos poços existentes e perfuração de novos e construção da represa do Trapicheiro”.
Na verdade, esta decisão do então Ministro da Agricultura fora a resultante da pressão oculta feita pelos tradicionais inimigos dos Rebouças, a chamada “engenharia oficial”, que não tinha idéias inovadoras neste campo e temia que os Rebouças se tornassem a referência nacional neste ramo, o que já estava acontecendo. Essa “engenharia” estava acostumada a mamar nas tetas do estado, sem lançar novas tendências técnicas de construção civil em benefício da população.
No mesmo embalo dos inimigos ocultos dos Rebouças, outros proprietários de terras procuraram André para se queixar das obras. Eles se mostraram céticos quanto ao resultado do projeto. Neste sentido, não iriam permitir que suas terras fossem perfuradas.
No entanto, contrariando os queixosos, o imperador deu ordens para que os Rebouças continuassem seu trabalho de tornar auto-suficiente o abastecimento de água da cidade.
Mas articulações contrárias ao civismo dos Rebouças não pararam por aí. No Senado, o conselheiro Zacarias atacou as obras e os Rebouças como se eles estivessem fazendo um trabalho inútil e incapaz. A mídia da época publicava diversos artigos condenando as obras e seu custo.
Entendendo o que estava se passando na casa parlamentar, André foi procurar o tal conselheiro. Ao ouvir as argumentações do engenheiro, o senador se desculpou dizendo que seus ataques às obras eram necessidades de “fazer política de oposição”, e com isto, chamar a atenção da sociedade (3).
Em 30 dias de trabalho, os irmãos Rebouças conseguiram tornar real uma das obras de grande impacto social do império: a ampliação de sistema de abastecimento de água da cidade do Rio de Janeiro.
A população vibrou. Pouca gente, no entanto, sabia que por trás daquela grande obra estavam dois engenheiros afrodescendentes, exceto, é claro, a classe dirigente e os inimigos dos Rebouças.
André, depois, em seu diário, lamenta o drama da genialidade dos irmãos engenheiros: “Cometemos o grande crime de dar, em 30 dias, 2.400.000 litros diários de água ao Rio de Janeiro (4)”.
Em vista disso, os irmãos propõem ao imperador a criação de uma Companhia de Águas para dar uma administração moderna ao novo sistema de abastecimento de água na cidade. O imperador vibrou, mas novamente a “engenharia oficial” criou embaraços de todos os tipos e a empresa não saiu do papel.
Três anos depois, André começou a escrever suas experiências com os burocratas e oligarcas do império (5). Ele definia o Brasil da época como o “paiz de apathia e de immobilidade”, devido à subserviência, ao subdesenvolvimento, ao analfabetismo dos funcionários públicos encarregados de tomar decisões cruciais para a nação.
Ele, Rebouças, uma espécie de representante da modernidade capitalista que ele vira pipocar com fulgor na Europa, durante seu estágio de dois anos para se tornar engenheiro civil, via, agora no Brasil, uma classe dirigente medíocre tomar corpo. Como ele escreve (1988: 370): “Uma oligarquia estulta reduziu este país fertilíssimo a um estéril deserto, com uma só árvore – a mancenilha política – o monopólio governamental”.
Desde esse episódio da água até 1883, André demonstrava extrema preocupação com a capacidade da burocracia oficial de barrar obras, empresas e empreendimentos capazes de levar o país para um novo patamar de desenvolvimento econômico e social.
Neste sentido, se preocupou com constatar e denunciar grandes entraves político-educacionais, que impossibilitava o país de sair do período de trevas coloniais que ainda imperavam nas mentes das elites agrárias e urbanas.
Uma de suas críticas mais contundentes era contra espírito contrário à criação de novas empresas num país ainda escravocrata. Ele mesmo, André, vira diversas iniciativas empresariais suas serem barradas com argumentos os mais mesquinhos.
Vejamos, neste sentido, esses argumentos rebouçianos (1988: 344-380):
“Só as pessoas, que se acham a testa das novas emprezas em atividade no império, fazem uma idéia justa da oposição sistemática, que ellas sofrem de todos os lados e de toda a parte. Como se ainda fossem poucas as innúmeras dificuldades naturaes, que são outros tantos obstáculos ao estabelecimento de indústrias em um paiz novo, como o nosso, cada empregado público julga ser do seu rigoroso dever combater, a ferro e fogo, as companhias. É o que eles chamam- matar a hydra do mercantilismo!”
“ (...) o que falta a este Império, como a todos paizes do mundo, é capital, é indústria, é trabalho, é instrução, é moralidade. Esse não-estar, que obriga a dizer – há falta de braços – significa realmente que o paiz está tão mal governado que não pode garantir trabalho e pão para os seus habitantes”.
Sobre o predomínio dos interesses políticos rasteiros sobre os empreendedores como ele (1988:345), Rebouças também não mede a pena ao escrever:
“Há, cumpre não esquecer, ainda uma terceira espécie de inimigos das companhias: são os políticos rotineiros, oligarcas, que enxergam nas companhias outros tantos obstáculos ao seu domínio sobre todos os cidadãos; a sua incessante aspiração de monopolisar a agricultura, a industria, o commércio, o trabalho, todas as importações, enfim, da atividade nacional”.
“(..) nesta guerra contra as empresas, os empresários e as companhias ocupam a vanguarda os agentes do fisco e os engenheiros officiaes. Perante a alfândega as companhias nunca têm razão: as isenções de direitos concedidas por lei para o material importado pelas companhias irritam sobretudo os phariseus do fisco. Esquecem-se do progresso geral do Brazil, só vêm a percentagem perdida nos direitos não pagos pela companhia”.
Rebouças ainda não perdoa o país do atraso. Mostra como inexistiam estatísticas oficiais para desencadear trabalhos de peso; critica a falta de uma educação básica para ampliar o conhecimento do brasileiro; bate de frente contra a permanência do sistema escravocrata e sugere medidas de impacto –- como o incentivo à imigração européia –- para desenvolver o país vasto, apático e incapaz de dar uma volta por cima apesar da riqueza natural incomensurável. Além disso, se bate firme pela educação e critica violentamente a tendência ao engodo, à preguiça e ao desmazelo da jovem nação tropical (1988:323):
“Tudo isso demonstra que é necessário educar a geração que cresce, para a agricultura, para a indústria, para o comércio, para o trabalho em uma só palavra! Até aqui a educação era meramente política. Sahia-se da academia para os collégios eleitorais, e muitas vezes para as assembleas legislativas provinceaes, e até para o parlamento nacional. Dahi essa repugnância geral para o trabalho produtivo”.
E, por fim, ele ataca ainda uma instituição que sobrevive impoluta e poderosa até os dias de hoje: o gasto supérfluo e inexplicável (1988:313)
“Sim, é verdade, quanto dinheiro que figura como divida da lavoura foi esbanjado no jogo, em eleições, em bailes, em banquetes e em toda a sorte de dissipações? Quem não sabe que houve senhor de engenho que cortava a canna ainda verde, reduzia-a a aguardente para poder ocorrer imediatamente ás dividas do jogo?”
O LEGADO DE ANDRÉ REBOUÇAS
1 - Sua insistência na importância dos portos e estradas ressurgiu, em escala amplificada, no Brasil moderno, com os chamados “corredores de exportação”, implementado nos anos 1980 com a finalidade de embarque de mercadorias, como ele previra.
2- Saneamento da Baixada Fluminense. Sua proposta de transformá-la numa Nova Amsterdam não se concretizou. Mas surgiram inúmeras cidades sem os requisitos sanitários e urbanísticos que ele recomendou.
3- Propôs a criação de estradas inter-oceânicas que se concretizaram no século seguinte.
4 - Recomendou a criação de parques florestais pelo país. Hoje, há inúmeros parques. Sua recomendação fora baseada por uma obra que lera sobre “Yellow-Show Park”, nos Estados Unidos.
5 - Se preocupou com o saneamento das baías de Guanabara e Sepetiba, no Rio de Janeiro, que hoje causam problemas ambientais.
6 - Propôs a criação de um sistema habitacional humanizado e amplo para as populações de baixa renda.
7 - Defendeu a reforma agrária – um de seus precursores no Brasil –- e se bateu contra o latifúndio.
8 - Defendeu a imigração européia e ficou contra a imigração asiática.
9 - Criou a proposta da higiene pública para tornar a cidade mais habitável, limpa e confortável para seus habitantes.
10 - Foi o primeiro engenheiro brasileiro a realizar ensaios para suas obras com cimento, impermeabilizantes para estacas e com madeiras para o mesmo fim.
11 - Teve ampla visão do emprego da madeira para o futuro das obras no país.
12 - Incentivou a navegação no interior aumentando, assim, as possibilidades marítimas do Brasil.
13 - Copiando o que os ingleses fizeram na Índia, no combate às secas, propôs a criação de uma malha ferroviária densa no nordeste, para facilitar o êxodo e a remessa de recursos aos flagelados. Essa proposta mais tarde se concretizou.
Foi precursor e solidarizou-se com as seguintes questões:
- A cremação de cadáveres
- A conservação de áreas florestais
- O imposto territorial como meio de nacionalização do solo
- Construção de restaurantes para operários de obras
- A difusão de cooperativas
- A descentralização governamental
- A liberdade de comércio e abolição de direitos protecionistas
- Investimentos públicos e privados no sertão
- A arbitragem nos conflitos internacionais
- Foi introdutor de diversas técnicas na engenharia militar, florestal, portos, navegação, ferrovia e hidrovias
- Criou inúmeras cadeiras de engenharia na antiga Escola Politécnica do Largo de São Francisco no Rio de Janeiro.
NOTAS
1 - SANTOS, Sydney M. G. dos. André Rebouças e seu tempo. Vozes, Rio de Janeiro: 1985.
2 - Idem, ibidem.
3 - Idem, ibidem.
4 - Idem, ibidem.
5 - Idem, Ibidem.
6 - REBOUÇAS, André. Agricultura nacional: estudos econômicos, propaganda abolicionista e democrática. Setembro de 1874 a setembro de 1883. Fundação Joaquim Nabuco, Recife: 1988.
*Carlos Nobre é Jornalista; Professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio; Pesquisador de Segurança Pública, Direitos Humanos e Processo Abolicionista. Autor de Mães de Acari – Uma história de protagonismo social (2005)
Fonte: Memória Lélia Gonzalez leliagonzalez@leliagonzalez.org.br
Assunto: Nossa Gente, Axé! André Rebouças
16:58
Colóquio África e Diáspora: refletindo sobre o lugar da mulher negra na geopolítica e os desafios da luta contra a pobreza e o racismo - BA
Mestre Paulão Kikongo
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Local: Reitoria da UFBA - Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA
Data de início: 06/11/08, às 18:00
Data de término: 09/11/08, às 11:00
O evento é uma iniciativa da União dos Negros pela Igualdade (UNEGRO), em parceria com a União Brasileira de Mulheres (UBM) e a UNESCO, o qual celebra os 20 anos de existência da UNEGRO e de sua luta contra o racismo, bem como os 120 anos de abolição da escravatura no Brasil, e será um espaço de encontro de idéias, análises, reflexões e troca de experiências sobre a atual condição das mulheres negras na África e na Diáspora.
O Colóquio visa estabelecer um espaço de diálogo intercontinental sobre a situação política, cultural e econômica das mulheres negras na África e na Diáspora, na perspectiva de buscar propostas que favoreçam o enfrentamento dos desafios impostos pela discriminação e pela pobreza. A partir da discussão de temas estratégicos na contemporaneidade, pretende-se redesenhar cartografias de fronteiras da afro-descendência, dando visibilidade a produções, práticas e projetos em que a mulher negra seja protagonista, sujeito e não mais objeto.
O Colóquio representa uma importante oportunidade de refazer e resgatar caminhos e histórias, juntando vozes capazes de fortalecer a presença das mulheres negras como sujeitos políticos nas esferas de poder, em prol de uma ordem mundial socialmente justa, ambientalmente equilibrada e sem opressão de gênero, classe e raça, o que implica estruturar redes de contactos, projetos continuados e intercâmbios que ultrapassem o evento, ainda que se construam a partir dele.
O público esperado é de 300 pessoas, formado por militantes do movimento negro, militantes do movimento de mulheres, representantes de instituições públicas que tratam de políticas de promoção da igualdade de gênero e raça, com inscrições previamente realizadas. Articuladas para participar do colóquio estarão mulheres de Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Estados Unidos, República Dominicana, Benin, Guiné, Gana, Haiti e África do Sul.
A metodologia adotada para a realização do Colóquio África e diáspora - o lugar da mulher negra na geopolítica, refletindo sobre os desafios das lutas contra o racismo e a pobreza, inclui a realização de consultas ampliadas às organizações promotoras do evento e organizações parceiras, sobre os temas específicos a serem abordados relacionados ao tema central do Colóquio.
Durante as exposições dos painéis e na plenária, as pessoas poderão se inscrever e, após o pronunciamento de toda a mesa, fazerem uso da palavra por um tempo previamente estabelecido. Em cada painel haverá uma relatora, que registrará as contribuições vindas dos debates. Haverá também uma coordenadora previamente definida para exercer a condução da mesa e mediar os trabalhos em cada painel.
Todo o trabalho do Colóquio será documentado em vídeo, fotografia e transformado em um relatório escrito. As principais idéias, as experiências significativas, as propostas de estratégias de atuação das mulheres serão registradas em uma publicação, após a realização do evento.
Contatos para mais informações:
Sites:
www.unegro.ogr.br/coloquio
www.winecomunicacao.com.br
Fonte: congressonacionaldenegrasenegros@yahoogrupos.com.br em nome de edson.unegro
11:41
QUILOMBOLAS: ESTUDO APONTA PRECARIEDADE ALIMENTAR
Mestre Paulão Kikongo
Africana, Afro-Brasileira, Brasil, Direitos Humanos, Escravidão, Etnia, Homens, Identidade, Inclusão Social, Mulheres, patrimônio, Política Pública, Portadores de Deficiência, Quilombolas, Quilombos, Remanescestes
Fausto Oliveira
A Fase Espírito Santo, em parceria com o programa nacional Agroecologia e Segurança Alimentar, realizaram há algumas semanas um estudo sobre as condições de segurança e soberania alimentar de comunidades quilombolas do norte capixaba. São remanescentes de escravos que habitam aquele território tradicionalmente, e que com a intensificação da monocultura de eucalipto naquele estado vêm encontrando dificuldades em manter sua cultura alimentar. O resultado desse processo é sua progressiva erosão cultural e perda das condições nutricionais das famílias, com impacto na saúde e na possibilidade de manter a vida rural que lhes é própria.
A vasta monocultura de eucalipto do Espírito Santo é responsabilidade exclusiva da empresa multinacional Aracruz Celulose. Ela está presente no estado desde a década de 1960, e de lá para cá devastou grande parte da Mata Atlântica, expulsou comunidades rurais tradicionais que lhe estivessem no caminho e encheu o território com eucaliptos. Como se sabe, plantações de eucalipto comprometem o estoque de água subterrânea, pois têm raízes muito longas e sugam muita água. Aos milhões, sugam muito mais. Além disso, os tóxicos e defensivos agrícolas usados pela Aracruz terminaram de contaminar as fontes hídricas de superfície e o solo. Todo este quadro vem impondo às comunidades rurais do norte do Espírito Santo uma mudança de hábitos alimentares que os afasta completamente de sua cultura e seu modo de vida.
O estudo feito pela Fase mostrou que os mais velhos tinham uma dieta rica e variada em sua época de infância. Depois, comparou-se esta memória da configuração alimentar com a dieta que suas crianças têm hoje em dia. Na infância, os quilombolas de antigamente costumavam ingerir, entre outras muitas coisas, alimentos como: feijão de corda, fava, guandu, mandioca, araruta, arroz de côco, galinha caipira, tatu, paca, porco do mato, jacaré, traíra, robalo, cascudo, corocoxó, mussum, miroró, barriga mole, ingá, caju, manga, banana, abacate, araxá, cambucá, pindoba... A lista é maior, selecionamos aqui apenas alguns com nomes pouco conhecidos da população em geral, a fim de mostrar como a variedade alimentar está aos poucos se perdendo, em troca de uma uniformização industrial da dieta de todos. O que se comprovou quando a pesquisa percebeu o que as crianças quilombolas de hoje ingerem diariamente.
Hoje, como as comunidades vivem cercadas pelo eucaliptal da Aracruz, não têm mais espaço, água limpa ou solo fértil para plantar como plantavam, ou para criar animais. Para sobreviver, recorrem a supermercados e, com sua renda pequena, podem comprar pouco e nem sempre o que há de melhor qualidade. Um programa de cestas básicas foi iniciado pelo governo federal, mas apenas 7 das 39 comunidades quilombolas da região recebem estas cestas. Sem dúvida a cesta básica é uma solução emergencial, mas o que ela oferece é a dieta padronizada que não é a preferida das comunidades. O resultado disso é que as crianças já não compartilham da cultura alimentar de seus pais, e ingerem diariamente embutidos, biscoitos recheados e outras variedades industriais.
A segurança alimentar, mesmo nas comunidades que recebem as cestas básicas, está em risco. Este é um processo que acontece no norte do Espírito Santo, mas podem-se ver reflexos dele em diversas regiões do campo brasileiro. Cada vez mais é difícil para o habitante do meio rural permanecer no campo. E quando permanece, é forçado a se relacionar com a cultura do capitalismo urbano mesmo sem querer, pois o território que tradicionalmente ocupa está constantemente sob invasão, apropriação e abuso da parte deste mesmo capitalismo industrial que retira do meio rural as condições de vida.
Fonte: congressonacionaldenegrasenegros@yahoogrupos.com.br em nome de MARTA ALMEIDA FILHA
23:19
Quilombos no Rio de Janeiro
Mestre Paulão Kikongo
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Como parte de uma das ações que desenvolvemos estamos disponibilizando em nosso blog vídeos sobre a história dos Quilombos no Rio de Janeiro, trabalho realizado pelo ITERJ - Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro ao qual tivemos acesso.
Você poderá acessar aqui e baixar o documento completo sobre a história dos Quilombos no Rio de Janeiro em arquivo.pdf.
Obs: Estes vídeos foram elaborados através de pesquisa realizada pelo ITERJ.
Fonte: Arquivo particular






